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日志


1月3日

***

 
 
Caros leitores,
 
 
Após 3 anos de muita poesia neste pequeno espacinho azul, decidi que já é hora de avançar para outros espaços, outros horizontes.
O lugar da liberdade, a partir de hoje, é
 
 
 
No entanto, este espaço continuará ativo, já que nele publiquei muitos dos textos que mais gosto, inclusive os meus poucos rabiscos de aprendiz!
Não haverá avisos de atualizações, portanto, espero continuar recebendo a visita de meus poucos, porém, fiéis leitores!
 
"Vagando em verso eu vim vestido de cetim."
(Danilo Caymmi)
 
 
 
 
 
12月30日

Verde

 
 
 

 

Os dedos de vidro pendurados apontam para baixo. A luz, ao deslizar pelo vidro, derrama uma poça verde. O dia inteiro os dez dedos do lustre derramam verde no mármore. As penas dos periquitos - seus gritos dissonantes - cortantes lâminas de palmeiras - verdes também; verdes agulhas reluzindo no sol. Mas não pára o duro vidro de gotejar sobre o mármore; sobre a areia do deserto as poças ficam suspensas; por elas cambaleiam camelos; as poças se assentam no mármore; juncos as margeiam; e ervas se grudam nelas; aqui e ali uma flor branca; o sapo salta por cima; de noite as estrelas são afixadas intactas. Aproxima-se a noite, e o verde, varrido pela sombra, vai para cima da lareira; a superfície enrugada do oceano. Não há navios chegando; as ondas a esmo balançam sob o céu vazio. A noite avança; das agulhas agora pingam traços de azul. O verde ficou de fora.

(Virginia Woolf)

 

Feliz Ano Novo!!!

 

 

12月20日

Untitle

 
 
Bem-vindo!
 
Se gostar do que leu, deixe-me um scrap...
  Eu compartilho olhares!!! 
 

Foto: Botas floridas - José Branco
 
 
Escrevo versos curtos
confusos e sem rumo.
Onde está a sintonia perfeita?
É disto que sou feita,
destas linhas rarefeitas
como se seguisse um curso,
um caminho, que a muito custo
vai se formando enquanto escrevo
e as letras saem em relevo
marcando o papel como dedos.
E quando penso que tudo, enfim, escrito
existirá muito além do infinito
o vento vem e leva as letras,
deixando para trás as arestas
milhares de frestas
incertas
e os versos se esvaem
um a um
monossilábicos,
mais um,
enigmáticos,
um,
e se acabam.
 
(Priscila M.)
 
 
 
Comemorando o terceiro ano do blog!
Único lugar da liberdade perfeita!!!
 
 
 
 
 
 
Anexo XX
 
 
se eu não fosse poeta
você entraria em mim
para ficar solto
em algum lugar
da lembrança
em vez disso
nada digo
e você fica preso
dentro do meu verso.
 
(Alice Ruiz)
 
 
12月13日

Poética

 
 
 

Foto: Sozinha na noite - Paulo Madeira

"(...) Vivia perdido em delícias fugazes.
Sabia verdades de cor e de corpo:
que os artistas não sabem envelhecer
que poesias são verdades de uma tarde
que estar sozinho nem sempre é tão bom

Sabia do pleonasmo que é dizer que um sonho acabou.

Naquela janela-moldura, contando os nós na corda das palavras não-ditas, suspirando calminho e contando até dez, escreveu uns versos.
Queria falar rápido, era todo desespero e as horas se encarregavam de romper o seu cálice de palavras belíssimas.

Um lapso e fim.

Guardou (n)a caixa. Fechou a porta e a moldura. Desbotou o sorriso.
Respirou como um pai.
E quando caiu a noite do avesso, e era dia, se levantou para mais um dilúvio de vozes e quis aquecer o peito para que suas paixões não dormissem numa nova manhã, mas era poeta, e sabia.

Sabia que um peito rasgado na noite cala os instintos, até o alvorecer de novos medos."

(Luiz Felipe Leal)

O poema completo está no blog do Luiz:
Vale a pena a leitura completa Wink
 
 
 
12月6日

A forma justa

 
 
 
 
Foto: Trama - José Lopes
 
A forma justa
 
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
 
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo.
 
(Sophia Andresen)
 
 
 
 
Lindo poema da portuguesa Sophia que mostra o difícil ofício do poeta: criar o mundo!
 
 
 
 
 
Anexo XIX
 
 
 
Nus se banharam em grandes praias lisas
Outros se perderam no repentino azul dos temporais
 
(Sophia Andresen)
 
 
11月24日

Pequeno poema de libertação

 
 

freedom - Atmosfera azul_Julio Cesar Ferreira

Foto: Atmosfera azul - Júlio César Ferreira
 
Pequeno poema de libertação
 
Libertei-me de mim em plena sexta-feira
noite azul, cheiro de estrela
e a imensidão que tomou minhas fronteiras
levou-me longe, muito além da última castanheira.
Foi preciso andar por caminhos estranhos
e estar presa sob as amarras de mim mesma
para perceber que meus versos brancos
outrora cinza como este cimento
já não podem mais suportar estes tons:
libertaram-se, em meio à sexta-feira azul.
 
(Priscila Mondschein)
 
 
 
 
 
 
11月15日

Impressões

 
  
 
miss2
 
 
tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados
 
tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido
 
e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado
 
(Alice Ruiz)
 
 
 
 
Todos os que passam deixam vestígios, impressões... e assim vamos nos completando!!!
 
 
 
 
 
11月8日

Poema Sujo

 
 

mann

             "Fragmento Velocidades"
 
O homem está na cidade
                como uma coisa está em outra
                e a cidade está no homem
                que está em outra cidade
 
                mas variados são os modos
                como uma coisa
                está em outra coisa:
                o homem, por exemplo, não está na cidade
                como uma árvore está
                em qualquer outra
 
                nem como uma árvore
                está em qualquer uma de suas folhas
                (mesmo rolando longe dela)
                o homem não está na cidade
                como uma árvore está num livro
                quando o vento ali a folheia
 
                A cidade está no homem
                mas não da mesma maneira
                que um pássaro está numa árvore
                não da mesma maneira que um pássaro
                (a imagem dele)
                está/va na água
                       e nem da mesma maneira
                que o susto do pássaro
                está no pássaro que eu escrevo
 
                a cidade está no homem
                quase como a árvore voa
                no pássaro que a deixa
 
                cada coisa está em outra
                de sua própria maneira
                e de maneira distinta
                de como está em si mesma
               
                a cidade não está no homem
                do mesmo modo que em suas
                quitandas praças e ruas
 
 
                     (Ferreira Gullar)
 
 
10月25日

Surrealista!

 
 

verde

 

Sonhei ou bem alguém me contou
que um dia
em San Lourenço da Montaria
uma rã pediu a Deus para ser grande como um boi
a rã foi
Deus que rebentou
e ficaram pedras e pedras nos montes à conta da fábula
ficou aquele ar de coisa sossegada nas ruínas sensíveis
ficou o desejo que se pega de deixar os dedos pelas arestas das fragas
ficou a respiração do alívio do peso de cima
ficou um admirável vazio azul para crescerem castanheiros
e ficou a capela como um inútil côncavo de virgem
para dançar à roda o estrapassado e o vira
na volta do San João d'Arga
 
(...)
 
 
Todas estas informações são muito mais poema do que parecem
porque a poesia não está naquilo que se diz
mas naquilo que fica depois de se dizer
ora a poesia da Serra d'Arga não tem nada com as palavras
nem com os montes nem com o lirismo fácil
de toda a poesia que por lá há
 
 
A poesia da Serra d'Arga está no desejo de poesia
que fica depois da gente lá ter ido
(...)
 
 
 
Fragmentos do poema de Antonio Pedro, em "Antologia Poética".
Vale a pena a leitura completa!!!!
 
 
 
 
 
10月11日

Outono

  

 

 
outono-Edgar Alves
 
Foto - Edgar Alves
 
 
Outono Californiano
 
Em meu jardim
só existem plantas verdes, sempre. Quero ver o outono.
Dirijo-me para a chácara de um amigo
no alto da colina.
Lá posso,
por cinco minutos, ficar parado a fitar uma árvore
árvore desprovida de folhagem, e folhagem, desprovida de tronco.
 
Vi uma grande folha de outono que o vento
moveu ao longo da rua, e tentei, então, a muito custo,
prever o futuro caminho desta folha!
 
(Bertolt Brecht - Tradução de Priscila Mondschein)
 
 
Brecht: mestre da poesia social, mas também repleto de momentos de lirismo...
 
 
 
Anexo XVIII
 
 

vastidão

Isto é o que mais me encanta:
essa vastidão absoluta,
esse horizonte em profundeza e amplitude,
dissipável, afastando-se.
 
(Christian Morgenstern - Tradução P. M.)
 
 
 
 
 

...

Recebi estes selos do grande amigo e poeta Valter Montani!
Valter, é um prazer receber estes carinhos de alguém cujos "escritos" já fazem parte do meu canto de arte! 
Obrigada!!!
 

selo1    selo2    selo3    selo4

9月28日

Querido Diário...

 

  

 
water and girl
 
 
"Foram-se há muito os vinte anos, a época das análises, das complicadas dissecações interiores. Compreendi por fim que nada compreendi, que mesmo nada poderei ter compreendido de mim. Restam-me os outros... talvez por eles possa chegar às infinitas possibilidades do meu ser misterioso, intangível, secreto."
 
 
(Trecho do diário de Florbela Espanca)
 
 
 
 
Anexo XVII 
 
 
 
tempo
 
 
"Fraca demais para esse parto
dar a luz a minha dor alucinante

expondo-a à arena do Coliseu
re-ple-to de espi(r)adores da vida alheia
todos os polegares voltados para baixo

Fraca demais para escrever
já que você, logo você
não mais me lê"

(Karla Julia - "Exposição")
 
 
 
9月20日

Artur Gomes

 
 
 

wunderbar1

 

20 DE FEVEREIRO

fosse quântico esse dia
calmo
claro
intenso
inteiro
20 de fevereiro
sendo assim esperaria

mesmo que em meio as tardes
tempestades trovoadas
insanidades guerras frias
iniqüidades angústia agonia
mesmo assim esperaria

20 horas
20 noites
20 anos
20 dias
até quando esperaria?

até que alguém percebesse
que mesmo matando o amor
o amor não morreria

(Artur Gomes)

 

Poeta e amigo no orkut! Segundo poema no blog...
Mais sobre suas juras secretas em http://jurassecretas.zip.net/
 
 
 
 
 
 
Anexo XVI
 
drop
 
"Deus é pai, vai saber
se acontecer
serei seu até o fim
e em tempo de chuva
que chova
eu não largo da sua mão
nem que caia um raio
eu saio
sem você na imaginação."
 
(Se acontecer - Djavan)
 
 

 

9月6日

Dona do Bumerangue

 
 
 
 
 
Rot_Daniel Camanho
 
Foto: Daniel Camacho
 
 
 
Há uns dias, passeando pelos blogs da vida, vi uma mensagem de uma amiga que se destinava a mim, uma singela homenagem feita pela Dona do Bumerangue, que posto agora para mostrar toda a minha gratidão!
Tá vendo, Dona, a poesia, assim como vida, é leve: vai e volta igual ao bumerangue!
 
 
 
 
 
"Para India Pri
Menina, tua arte é encantadora. A poesia e você já se uniram, se somaram, se mediram, se acharam, se sentiram e estão aí..."
 
Somos ladras de imagens, de idéias, roubamos as mensagens como senhoras da alcatéia
Lobos famintos uivam por imagens e palavras e bebem do nosso trabalho e provam da nossa caçada
Eu ilustro o que eu vejo e descrevo com palavras com as cores e os olhos das imagens roubadas.
Você inspira e sai em busca de quem já lapidou o mármore de sílaba e cor com a obra que exprime o que você vislumbrou
Somos lobas, caçadoras, somos loucas, inspiradoras.
Eu vôo e busco o mais alto e você abre um céu
Vou roubar do seu azul, do seu vermelho, da sua cor
Para encontrar novas palavras, novas rimas, onde for...
Pois quando pouso em teu espaço
Renovo as tintas da minha arte
Ah se todo o mundo fosse lugar da tua liberdade!
 
dona
 
(Dona do Bumerangue)
 
 
 
 
8月30日

Sobre violinos

 
 
 
 

violinos1

 

 

Ao longe, mil violinos tocam
enquanto as vozes se calam.
Tão longe, que mal posso distinguir
os acordes, mil, tão disformes
que juntos, a canção soa confusa
e perde-se no instante que se foi.
São as horas, as mais escuras,
levam desejos, doçuras.
São as horas, instantes,
deixam o silêncio incessante.
Um dia, que será fruto destas horas,
silenciosas,
juntarei melodias e acordes disformes
e farei a canção mais vibrante,
num tom constante,
aqui, neste instante.
 
(Priscila Mondschein)

 

 

8月23日

Quero apenas

 
 
 

apenas

Quero apenas

Além de mim, quero apenas
essa tranqüilidade de campos de flores
e este gesto impreciso
recompondo a infância.
 
Além de mim
- e entre mim e meu deserto -
quero apenas silêncio,
cúmplice absoluto de meu verso,
tecendo a teia do vestígio
com cuidado de aranha.
 
(Olga Savary)
 
 
 
 
 
Anexo XV
 
 
 
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"A um certo modo de olhar, há um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e a isto chamamos amor."
(Clarice Lispector)
 
 
 
 
8月16日

Vento forte

 
 
 
 
primavera
 
 
 
Vento forte
(Para Mário Quintana)
 
O vento aqui não pára.

Nem um segundo,
nem um pouquinho.

Ah, se eu fosse moinho...
 
(Fabio Rocha)
 
 
Segunda poesia deste poeta no blog, ele foi encontrado durante as andanças pela net!
 
 
 
 
 
8月10日

Azul

 

 

blue

Foto: Antonio de Santa Clara

 

SONETO DO DESMANTELO AZUL

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

(Carlos Pena Filho)

 

Assim como este blog, ou como este céu, ou como esta tristeza...
vertiginosamente Azul, Azul...
 
 
 
 

7月26日

Marguerite Duras

 
 
 
Como um amante
 
 
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“Todos dizem que era bela quando jovem, vim dizer-lhe que para mim é mais bela hoje do que em sua juventude, que eu gostava menos de seu rosto de moça do que desse de hoje, devastado.”

 

            O rosto de moça da garota branca da Indochina, que tanto fascinou os homens de Saigon, hoje “devastado”, como descreve Marguerite Duras, pertence à protagonista de L’Amant, publicado pela primeira vez  em 1984.

 

            Aos quinze anos, a menina transforma-se em mulher, ainda confusa, ainda disforme, incompleta. O amante, chinês rico, é o mais amante do mundo, e ama-a com o corpo, o desejo carnal, e a alma, e todo o seu amor. Duras quebra a linearidade do tempo, e mistura as noites ardentes dos amantes aos medos da doce menina. Uma mãe sofrida, dois irmãos, uma família frágil que rui no decorrer do romance. Apenas quinze anos e rejeitada pela sociedade, rejeitada pela loucura da mãe, encontra asilo nas tardes quentes, nos banhos de água fresca preparados por seu amante num quarto escuro de hotel.

 

            É o amor demonstrado através do ato, da realização de um desejo insaciável. Qual é a idade do desejo? Quem são os amantes? São os que amam incessantemente e fazem deste amor tão importante quanto o ar que respiram. Jovem prostituta? Não, amante!

 

            Marguerite Duras exala sensibilidade quanto às diferenças raciais, às discriminações, quanto ao sexo. L’Amant torna-se, então, uma das principais obras da autora, devido à sua exuberante narrativa repleta de cortes, um estilo cinematográfico, flashes, digressões... Em meio ao choque violento causado por preconceitos e pela rudeza momentânea da linguagem, surgem paisagens chinesas no melhor e mais belo estilo, o estilo Duras.

 

            Em 1991, O amante recebe uma versão para o cinema, dirigida por Jean-Jacques Annaud, transformando-se, então, num grande sucesso de crítica e público. A fotografia perfeita, a trilha sonora emocionante, a interpretação fascinante de Jane March, tudo contribuiu para que o filme recebesse uma indicação ao Oscar e ganhasse dois prêmios César de cinema francês.

 

            Marguerite Duras nasceu em 1914, na Indochina Francesa, ex-colônia da França com forte influência das culturas chinesa e indiana, devido à localização. Duras mudou-se com a família para a França, mas nunca esqueceu suas raízes orientais, retomando-as sempre em seus romances. A escritora faleceu em 1996, aos 81 anos.

 

 

por Priscila Mondschein

 

 

 

 

                                                   marguerite2

 

 

“Écrire”

 

“ La solitude de l´écriture c´est une solitude sans quoi l´écrit ne se produit pas, ou il s´émiette exsangue de chercher quoi écrire encore. Perd son sang, il n´est plus reconnu par l´auteur. Et avant tout, il faut que jamais il ne soit dicté à quelquer secrétaire, si habile soit- -elle, et jamais à ce stade-là donné à lire à un éditeur.”

“On ne trouve pas la solitude, on la fait.. la soliturde elle se fait seule. Je l´ai faite. Parce que j´ai decide que c´etait là que je devrais être seule, que je serais seule pour écrire des livres.”

“La solitude, ça veut dire aussi: Ou la mort, ou le livre.”

“Se trouver dans um trou, au fond d´um trou, dans une solitude quase totale et découvrir que seule l´écriture vous sauvera. Être sans sujet aucun de livre, sans aucune idée de livre, c´est trouver, se retrouver, devant um livre. Une immensité vide. Un livre éventuel. Devant rien. Devant comme une écriture vivante et nue, comme terrible à surmonter.”

 “C´est curieux un écrivain.C´est une contradiction et aussi un non-sens. Écrire c´est aussi ne pas parler. C´est se taire. Cést hurler sans bruit.”

“C´est l´inconnu qu´on porte en soi: écrire, c´est ça qui est atteint. Cést ça ou rien.”

Marguerite Duras, “Écrire”

 

 

 

Tradução:

 

“A solidão da escrita é uma solidão sem a qual o escrito não se produz, ou então se esmigalha, exangue de procurar o que escrever ainda. Perde o seu sangue, não é mais reconhecido pelo autor . E acima de tudo deve ser preciso que nunca seja ditado à uma secretária, por mais hábil que seja, nem entregue nessa fase, à leitura de um editor.”

“Não achamos a solidão, mas sim, a fazemos. A solidão, ela se faz sozinha. Eu a fiz. Porque decidi que era aqui que eu deveria estar só, que estaria sozinha para escrever livros.

“A solidão, quer dizer também: Ou a morte, ou o livro.”

“Achar-se num buraco, no fundo de um buraco, numa solidão quase total e descobrir que só a escrita salvará você. Estar sem nenhum assunto para um livro, sem nenhuma idéia de livro, é encontrar-se, reencontrar-se diante de um livro. Uma imensidão vazia. Um livro eventual. Diante de nada. Como que diante de uma escrita viva e nua,assim terrível, terrível de ser superada.”

“É curioso um escrito. É uma contradição e também um contra-senso. Escrever é também não falar. É calar-se. É errar sem barulho.”

“É o desconhecido que se carrega consigo: escrever é isso que é alcançado. É isso ou nada”

 

Marguerite Duras, “Escrever”

 

Tradução:Karla Julia

 

 

Artigo produzido em parceria com o site www.campodeorquideas.com.br, de minha grande amiga, Karla Julia. Trailer do filme "O Amante" e trechos do livro no blog http://milalmas.blogspot.com . Agradecemos as visitas, e compartilhamos olhares...

 

 

 

 

 

7月9日

Caos

 

   

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Alice no País das Maravilhas

 

Todas essas estrelas confusas
em noites semi-escuras
bagunçam meus versos
desordenam meu cosmo
tiram meu sono.
E estes teus olhos
pequenos, escuros
transformam meus sonhos
no caos mais profundo.
Falas de deuses
e teorias confusas
e todas essas estrelas
em noites semi-escuras.
E eu fico inconclusa
perdida no caos
num Universo inseguro
em plena Aurora Boreal.
 
 
(Priscila Mondschein)
 

 

 Anexo XIV

 

Alphonse Mucha - La Ruit

Alphonse Mucha

"Comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. Eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita."
 (Clarice Lispector)