Priscila 的个人资料"A arte é o lugar da lib...照片日志列表更多 工具 帮助

日志


7月26日

Marguerite Duras

 
 
 
Como um amante
 
 
marguerite1
 
 

“Todos dizem que era bela quando jovem, vim dizer-lhe que para mim é mais bela hoje do que em sua juventude, que eu gostava menos de seu rosto de moça do que desse de hoje, devastado.”

 

            O rosto de moça da garota branca da Indochina, que tanto fascinou os homens de Saigon, hoje “devastado”, como descreve Marguerite Duras, pertence à protagonista de L’Amant, publicado pela primeira vez  em 1984.

 

            Aos quinze anos, a menina transforma-se em mulher, ainda confusa, ainda disforme, incompleta. O amante, chinês rico, é o mais amante do mundo, e ama-a com o corpo, o desejo carnal, e a alma, e todo o seu amor. Duras quebra a linearidade do tempo, e mistura as noites ardentes dos amantes aos medos da doce menina. Uma mãe sofrida, dois irmãos, uma família frágil que rui no decorrer do romance. Apenas quinze anos e rejeitada pela sociedade, rejeitada pela loucura da mãe, encontra asilo nas tardes quentes, nos banhos de água fresca preparados por seu amante num quarto escuro de hotel.

 

            É o amor demonstrado através do ato, da realização de um desejo insaciável. Qual é a idade do desejo? Quem são os amantes? São os que amam incessantemente e fazem deste amor tão importante quanto o ar que respiram. Jovem prostituta? Não, amante!

 

            Marguerite Duras exala sensibilidade quanto às diferenças raciais, às discriminações, quanto ao sexo. L’Amant torna-se, então, uma das principais obras da autora, devido à sua exuberante narrativa repleta de cortes, um estilo cinematográfico, flashes, digressões... Em meio ao choque violento causado por preconceitos e pela rudeza momentânea da linguagem, surgem paisagens chinesas no melhor e mais belo estilo, o estilo Duras.

 

            Em 1991, O amante recebe uma versão para o cinema, dirigida por Jean-Jacques Annaud, transformando-se, então, num grande sucesso de crítica e público. A fotografia perfeita, a trilha sonora emocionante, a interpretação fascinante de Jane March, tudo contribuiu para que o filme recebesse uma indicação ao Oscar e ganhasse dois prêmios César de cinema francês.

 

            Marguerite Duras nasceu em 1914, na Indochina Francesa, ex-colônia da França com forte influência das culturas chinesa e indiana, devido à localização. Duras mudou-se com a família para a França, mas nunca esqueceu suas raízes orientais, retomando-as sempre em seus romances. A escritora faleceu em 1996, aos 81 anos.

 

 

por Priscila Mondschein

 

 

 

 

                                                   marguerite2

 

 

“Écrire”

 

“ La solitude de l´écriture c´est une solitude sans quoi l´écrit ne se produit pas, ou il s´émiette exsangue de chercher quoi écrire encore. Perd son sang, il n´est plus reconnu par l´auteur. Et avant tout, il faut que jamais il ne soit dicté à quelquer secrétaire, si habile soit- -elle, et jamais à ce stade-là donné à lire à un éditeur.”

“On ne trouve pas la solitude, on la fait.. la soliturde elle se fait seule. Je l´ai faite. Parce que j´ai decide que c´etait là que je devrais être seule, que je serais seule pour écrire des livres.”

“La solitude, ça veut dire aussi: Ou la mort, ou le livre.”

“Se trouver dans um trou, au fond d´um trou, dans une solitude quase totale et découvrir que seule l´écriture vous sauvera. Être sans sujet aucun de livre, sans aucune idée de livre, c´est trouver, se retrouver, devant um livre. Une immensité vide. Un livre éventuel. Devant rien. Devant comme une écriture vivante et nue, comme terrible à surmonter.”

 “C´est curieux un écrivain.C´est une contradiction et aussi un non-sens. Écrire c´est aussi ne pas parler. C´est se taire. Cést hurler sans bruit.”

“C´est l´inconnu qu´on porte en soi: écrire, c´est ça qui est atteint. Cést ça ou rien.”

Marguerite Duras, “Écrire”

 

 

 

Tradução:

 

“A solidão da escrita é uma solidão sem a qual o escrito não se produz, ou então se esmigalha, exangue de procurar o que escrever ainda. Perde o seu sangue, não é mais reconhecido pelo autor . E acima de tudo deve ser preciso que nunca seja ditado à uma secretária, por mais hábil que seja, nem entregue nessa fase, à leitura de um editor.”

“Não achamos a solidão, mas sim, a fazemos. A solidão, ela se faz sozinha. Eu a fiz. Porque decidi que era aqui que eu deveria estar só, que estaria sozinha para escrever livros.

“A solidão, quer dizer também: Ou a morte, ou o livro.”

“Achar-se num buraco, no fundo de um buraco, numa solidão quase total e descobrir que só a escrita salvará você. Estar sem nenhum assunto para um livro, sem nenhuma idéia de livro, é encontrar-se, reencontrar-se diante de um livro. Uma imensidão vazia. Um livro eventual. Diante de nada. Como que diante de uma escrita viva e nua,assim terrível, terrível de ser superada.”

“É curioso um escrito. É uma contradição e também um contra-senso. Escrever é também não falar. É calar-se. É errar sem barulho.”

“É o desconhecido que se carrega consigo: escrever é isso que é alcançado. É isso ou nada”

 

Marguerite Duras, “Escrever”

 

Tradução:Karla Julia

 

 

Artigo produzido em parceria com o site www.campodeorquideas.com.br, de minha grande amiga, Karla Julia. Trailer do filme "O Amante" e trechos do livro no blog http://milalmas.blogspot.com . Agradecemos as visitas, e compartilhamos olhares...

 

 

 

 

 

7月9日

Caos

 

   

alice3

Alice no País das Maravilhas

 

Todas essas estrelas confusas
em noites semi-escuras
bagunçam meus versos
desordenam meu cosmo
tiram meu sono.
E estes teus olhos
pequenos, escuros
transformam meus sonhos
no caos mais profundo.
Falas de deuses
e teorias confusas
e todas essas estrelas
em noites semi-escuras.
E eu fico inconclusa
perdida no caos
num Universo inseguro
em plena Aurora Boreal.
 
 
(Priscila Mondschein)
 

 

 Anexo XIV

 

Alphonse Mucha - La Ruit

Alphonse Mucha

"Comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. Eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita."
 (Clarice Lispector)