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日志


2月16日

Les eternelles Fleurs du Mal

 
 
 

As eternas “Fleurs du Mal”

Artigo  by Priscila Mondschein e Karla Julia

 

baud

 

 

A vida moderna aflige o homem calmo do século XIX... melancolia, ausência, solidão em meio à luxuosa Paris; a multidão sem face não repara na flor que nasce próximo às galerias. Uma Fleur Du mal .

A passante glamorosa chama a atenção do poeta, deslumbrado, que escreve alucinadamente à desconhecida.

As luzes francesas já não são mais suficientes para iluminar a escuridão que imerge toda a época, e as flores malvadas completam estantes empoeiradas e sobrevivem no decorrer dos séculos... como eternas flores do mal!

 

“A rua em torno era um frenético alarido.

Toda de luto, alta, sutil, dor majestosa,

Uma mulher passou, com sua mão suntuosa

Erguendo e sacudindo a barra do vestido. (...)

Que luz... e a noite após! – efêmera beldade

Cujos olhos me fazem nascer outra vez,

Não mais hei de te ver senão na eternidade? (...)”

 

“A uma passante” – Charles Baudelaire

Priscila Mondschein

 

Um texto de Beaudelaire, seguido de tradução, para conhecermos melhor seu pensamento:

 

“La plupart des erreurs relatives au beau naissent de la fausse conception du XVIIIème siècle relative à la morale. La nature fut prise dans ce temps-là comme base, source et type de tout bien et de tout beau possibles. La négation du péché originel ne fut pas por peu de chose dans l´aveuglement général de cette  époque. Si toutefois nous consentons à en référer simplement au fait, visible à l expérience de tous les ages et à la Gazette des Tribunaux, nous verrons que la nature n´enseigne rien, c´est-à-dire qu´elle contraint l´homme à dormir, à boire, à manger et à se garantir, tant bien que mal, contre les hostilités

l´atmosphère. C´est elle aussi qui pousse l´homme à tuer son semblable, à le manger, à le séquestrer, à le torturer: car sitôt que nous sortons de l´ordre des nécessites et des besoins pour entrer dans celui du luxe et des plaisirs, nous voyons que la nature ne peut conseiller que le crime.(...) C´est la philosophie (je parle de la bonne), c´est la religion qui nous ordonnent de nourrir des parents pauvres et infirmes. La natureb( qui n´est pas autre chose qui la voix de notre intérêt) nous commande de les assommer. Passezr en revue, analysez tout ce qui est naturel, toutes les actions et les désirs du pur homme naturel, vous ne trouverez rien que d´affreux. Tout ce qui est beau et noble est résultat de la raison et du calcul. Le crime, dont l´animal humain a puisé le goût dans le ventre de sa mère, est originellement naturel.(...) Le mal se fait sans effort, naturellement, par fatalité; le bien est toujours un produit d´un art.

 

                                                                         Charles Beaudelaire

 

Tradução do texto acima;

 

“A maior parte dos erros relativos ao belo nascem da falsa concepção do século dezoito relativo à moral. A natureza foi tomada, naquela época, como base, fonte e modelo de todo bem e de todo o belo possíveis. A negação do pecado original  não deixou de contribuir para a cegueira geral dessa época. Se todavia consentimos em tomar como referência o fato visível à experiência de todas as idades e à Gazeta dos Tribunais, veremos que a natureza não ensina nada, ou quase nada, quer dizer, ela força o homem a dormir, beber, comer e a proteger-se, bem ou mal, contra as hostilidades da atmosfera. É ela também quem leva o homem a matar seu semelhante , a comê-lo, sequestrá-lo, torturá-lo: pois tão logo saímos da ordem das necessidades e das carências para entrar na do luxo e dos prazeres, vemos que a natureza não pode aconselhar senão o crime. (...) É a filosofia ( falo da verdadeira filosofia), é a religião, que nos ordenam a alimentar os pais pobres e enfermos. A natureza ( que não é outra coisa senão a voz de nosso interesse) nos ordena liquidá-los. Passe em revista, analise tudo aquilo o que é natural, todas as ações, os desejos do puro homem natural, e você não encontrará nada, a não ser horrores. Tudo o que é belo e nobre é o resultado da razão e do cálculo. O crime, cujo gosto o animal humano foi buscar no ventre de sua mãe, é originalmente natural.(...) O mal é feito sem nenhum esforço, naturalmente, por fatalidade: o bem é sempre produto de uma arte.

 

 Charles Baudelaire

Tradução Karla Julia

 

Karla Julia

 

 

 

2月10日

Avesso

 

 

beautyIV

 

Avesso

Tomo as chuvas de agosto - a gosto
tenho todas as estrelas que quiser
levo-as embaixo do chapéu
não me peçam sanidade ou métrica
a estética é o avesso do meu íntimo
meu verso é todo meu sangue
nem doce nem fel
não tenho verdades
apenas aprendi a andar no céu
com a propriedade de poeta
e colher quantas estrelas
quiser e couber no meu chapéu.
 
(Tonho França)
 
 
 
Então colherei todas as estrelas do céu... eu e meu chapéu de azaléias...
 
 
 
 
 
 
Anexo V
 
 
vamp
 
 
"Se não houvesse paredes!
Eu teria cavalo de asas"
 
 
(verso de Cecília Meireles, adaptado por mim!
"E se não houvesse paredes/ Eu não tinha cavalo de asas/que morreu sem ter nascido")
 
 
 
 
 

2月5日

Haikais

 
 
 
 
 
Os haikais são a arte do breve poetar...
Poemínimos, pequenas belezas descritas em 3 versos!
 
Os haikais abaixo foram publicados num folheto
distribuido na Casa das Rosas, em São Paulo.
Consta somente o primeiro nome dos poetas...
 
 
 
oriental
 
 
 
Nos fios passeiam
elétricos sabiás
pingando chuva.
 
(Delma)
 
 
 
Chove sem parar
Borboleta pousa
na cortina branca.
 
(Fátima)
 
 
 
Jasmim na calçada
a dureza das pedras
exala perfume.
 
(Fátima)
 
 
 
Vento nos ramos
Chove ainda mais
embaixo das árvores.
 
(J. Rodolfo)