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日志


12月30日

Verde

 
 
 

 

Os dedos de vidro pendurados apontam para baixo. A luz, ao deslizar pelo vidro, derrama uma poça verde. O dia inteiro os dez dedos do lustre derramam verde no mármore. As penas dos periquitos - seus gritos dissonantes - cortantes lâminas de palmeiras - verdes também; verdes agulhas reluzindo no sol. Mas não pára o duro vidro de gotejar sobre o mármore; sobre a areia do deserto as poças ficam suspensas; por elas cambaleiam camelos; as poças se assentam no mármore; juncos as margeiam; e ervas se grudam nelas; aqui e ali uma flor branca; o sapo salta por cima; de noite as estrelas são afixadas intactas. Aproxima-se a noite, e o verde, varrido pela sombra, vai para cima da lareira; a superfície enrugada do oceano. Não há navios chegando; as ondas a esmo balançam sob o céu vazio. A noite avança; das agulhas agora pingam traços de azul. O verde ficou de fora.

(Virginia Woolf)

 

Feliz Ano Novo!!!

 

 

12月20日

Untitle

 
 
Bem-vindo!
 
Se gostar do que leu, deixe-me um scrap...
  Eu compartilho olhares!!! 
 

Foto: Botas floridas - José Branco
 
 
Escrevo versos curtos
confusos e sem rumo.
Onde está a sintonia perfeita?
É disto que sou feita,
destas linhas rarefeitas
como se seguisse um curso,
um caminho, que a muito custo
vai se formando enquanto escrevo
e as letras saem em relevo
marcando o papel como dedos.
E quando penso que tudo, enfim, escrito
existirá muito além do infinito
o vento vem e leva as letras,
deixando para trás as arestas
milhares de frestas
incertas
e os versos se esvaem
um a um
monossilábicos,
mais um,
enigmáticos,
um,
e se acabam.
 
(Priscila M.)
 
 
 
Comemorando o terceiro ano do blog!
Único lugar da liberdade perfeita!!!
 
 
 
 
 
 
Anexo XX
 
 
se eu não fosse poeta
você entraria em mim
para ficar solto
em algum lugar
da lembrança
em vez disso
nada digo
e você fica preso
dentro do meu verso.
 
(Alice Ruiz)
 
 
12月13日

Poética

 
 
 

Foto: Sozinha na noite - Paulo Madeira

"(...) Vivia perdido em delícias fugazes.
Sabia verdades de cor e de corpo:
que os artistas não sabem envelhecer
que poesias são verdades de uma tarde
que estar sozinho nem sempre é tão bom

Sabia do pleonasmo que é dizer que um sonho acabou.

Naquela janela-moldura, contando os nós na corda das palavras não-ditas, suspirando calminho e contando até dez, escreveu uns versos.
Queria falar rápido, era todo desespero e as horas se encarregavam de romper o seu cálice de palavras belíssimas.

Um lapso e fim.

Guardou (n)a caixa. Fechou a porta e a moldura. Desbotou o sorriso.
Respirou como um pai.
E quando caiu a noite do avesso, e era dia, se levantou para mais um dilúvio de vozes e quis aquecer o peito para que suas paixões não dormissem numa nova manhã, mas era poeta, e sabia.

Sabia que um peito rasgado na noite cala os instintos, até o alvorecer de novos medos."

(Luiz Felipe Leal)

O poema completo está no blog do Luiz:
Vale a pena a leitura completa Wink
 
 
 
12月6日

A forma justa

 
 
 
 
Foto: Trama - José Lopes
 
A forma justa
 
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
 
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo.
 
(Sophia Andresen)
 
 
 
 
Lindo poema da portuguesa Sophia que mostra o difícil ofício do poeta: criar o mundo!
 
 
 
 
 
Anexo XIX
 
 
 
Nus se banharam em grandes praias lisas
Outros se perderam no repentino azul dos temporais
 
(Sophia Andresen)