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日志


11月24日

Pequeno poema de libertação

 
 

freedom - Atmosfera azul_Julio Cesar Ferreira

Foto: Atmosfera azul - Júlio César Ferreira
 
Pequeno poema de libertação
 
Libertei-me de mim em plena sexta-feira
noite azul, cheiro de estrela
e a imensidão que tomou minhas fronteiras
levou-me longe, muito além da última castanheira.
Foi preciso andar por caminhos estranhos
e estar presa sob as amarras de mim mesma
para perceber que meus versos brancos
outrora cinza como este cimento
já não podem mais suportar estes tons:
libertaram-se, em meio à sexta-feira azul.
 
(Priscila Mondschein)
 
 
 
 
 
 
11月15日

Impressões

 
  
 
miss2
 
 
tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados
 
tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido
 
e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado
 
(Alice Ruiz)
 
 
 
 
Todos os que passam deixam vestígios, impressões... e assim vamos nos completando!!!
 
 
 
 
 
11月8日

Poema Sujo

 
 

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             "Fragmento Velocidades"
 
O homem está na cidade
                como uma coisa está em outra
                e a cidade está no homem
                que está em outra cidade
 
                mas variados são os modos
                como uma coisa
                está em outra coisa:
                o homem, por exemplo, não está na cidade
                como uma árvore está
                em qualquer outra
 
                nem como uma árvore
                está em qualquer uma de suas folhas
                (mesmo rolando longe dela)
                o homem não está na cidade
                como uma árvore está num livro
                quando o vento ali a folheia
 
                A cidade está no homem
                mas não da mesma maneira
                que um pássaro está numa árvore
                não da mesma maneira que um pássaro
                (a imagem dele)
                está/va na água
                       e nem da mesma maneira
                que o susto do pássaro
                está no pássaro que eu escrevo
 
                a cidade está no homem
                quase como a árvore voa
                no pássaro que a deixa
 
                cada coisa está em outra
                de sua própria maneira
                e de maneira distinta
                de como está em si mesma
               
                a cidade não está no homem
                do mesmo modo que em suas
                quitandas praças e ruas
 
 
                     (Ferreira Gullar)